Areia demais para o teu caminhãozinho.

de blog.freepeople.com

Imagina ser tu uma caçamba e tenhas que transportar uma quantidade de areia infinita. Seriam necessárias incontáveis viagens. Nunca acabaria esta tarefa. Disto vem aquele dizer. “É areia demais para o meu caminhãozinho.”

Quem nunca se encantou por uma pessoa, calculou as probabilidades de conquistá-la e chegou ao resultado de zero.

“Eu não tenho chance.”

Sem jogar, tu nunca vencerás. Na desistência precoce tu jamais saberás se teus cálculos estão corretos. Porém, existem situações que de fato é melhor tirar o time de campo, antes de levar um cartão vermelho coletivo.

Há um terceiro cenário, o mais doloroso.

Tu saíste do teu lugar. A outra pessoa abriu espaço, acenou para uma possível vitória e o jogo começou. Surgiram sim nas respostas. Estavas bem no começo e parecia distante uma derrota. O placar seguia sem gols,  mas a torcida já comemorava nas arquibancadas, erguiam-se as faixas, é tetra!

Então, quando te sentias potente, ouviste um não.

A expectativa da conquista tornou-se num sentimento de fracasso.  O coro de é campeão entalou e calou o teu estádio. Sem fazer ideia de como deu errado,  questionas, por quê? Deste teu melhor chute e bateu na trave.

Respira e pensa.

Não somos carregadores de areia. Somos histórias. Cada gente é um roteiro desenrolando. Seremos para elas vilões,  coadjuvantes, atores principais. Nunca diretores. Jamais iremos dirigi-las e isto as tornam imprevisíveis.

Ninguém te deixou porque és menos bonito, inteligente. Apenas aquele filme não era o do momento, por fatores misteriosos. Te lembras. O ser humano é complexo, te detestarão e te amarão pelas mesmas características.

Cuida das tuas lindezas,  mais que um caminhão, és um Universo.

Que teus personagens sejam boas estrelas a te enfeitar.

Alan Lima

Emoção

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Sinto uma emoção no coraçãozinho e esta me leva a escrever este texto. É uma emoção que fica batendo no peito igual menino. É irresponsável, essa coisinha. Está nem aí para o preço das coisas, a alta do dólar, ou para cultura pop. Quer apenas e somente; cantar.

Então esta emoção descobre minhas cordas vocais desafinadas. Ela escuta meu canto e diz : – Cara. Você canta o canto das focas.
Eu lamento envergonhado. Mas para minha surpresa, a minha emoção quer mesmo ouvir meu canto. E eu gostando de ter voz de foca, canto para minha emoçãozinha.
Quem ouve não entende e sabe. Sucesso farei nenhum…
Pois quem precisa fazer sucesso quando já sente emoção bonita sem ele?

Mas canto baixinho, longe dos ouvidos e de status do Facebook.

Não quero incomodar ninguém, imagina. Meu canto e minhas opiniões são apenas frutos das minhas naturais emoções.

Desafinados ou afinados, fazem parte dessa construção que sou :
– Inacabada, Alan, precisando de muitos reparos.
– Principalmente na sala. É que eu quebrei a parede.
– Sério? Por que?
– Não sei. Mas é legal ser uma construção que, de vez em quando, se põe a quebrar tudo que foi mal construído.

É o meu conselho descartável da vez.
Quebra geral, gente, é emocionante quebrar!

AlanLima

Em defesa dos Figurantes

Se existe o Oscar de melhor filme, melhor ator, atriz, melhor roteiro, melhor figurino, por que não existe Oscar de melhor figurante hein? Quer dizer que aquele pessoal todo no Titanic morre daquele jeito legal e não ganha nada? E os soldados explodem, e os pedestres andam, e os motoristas dirigem, tudo em vão?

Ah, o ator tal fez uma preparação de anos para interpretar tal personagem. Ah, veja o roteirista trabalhando meses neste roteiro. Amigo, você pensa que é fácil participar de um filme, andar perto da câmera e passar longe dela sem nem acenar pra família? Sabe quantos figurantes se sentem mal, de não serem reconhecidos na rua, mas estarem lá, dando sentindo a cenas de multidão, guerras, tragédias?

Enfim, fica aí meu desabafo. Eu que nunca nem figurante fui. Se um dia eu for, já terei crédito no sindicato. Defendi a classe. Serei reconhecido por essa luta.

Ou nos oferecem espaço no Oscar, ou vai ter greve sim. Vai ter figurante acenando pra câmera, com cartaz “Filma eu, seu diretor” sim. Fundaremos nosso partido e aí mundo.

Mais um partido que nasce para defender o o que não aparece, e talvez, só talvez, terminará abraçando geral, apoiando a causa de qualquer ator principal.

Desde já, peço perdão companheiros. É que a estátua de ouro olhando a gente no olho, muda a ideologia… Mas o nome do partido, prometemos! No nome do partido ninguém vai mexer.
Dá-lhe Partido do Figurante!

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Opinião do Dia

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Não me importa em que lado você está, realmente não me importa. Só estou querendo saber se o lado que você defende, está realmente ao seu lado. Pois você, você… É o lado que realmente deve interessar.

Eu não, não mesmo, quero te convencer. Talvez às vezes, mas estas vezes você pode me ignorar. Escute mesmo, com calma, quando eu falar o que penso. Se mostro meus pensamentos, é porque vejo em você a capacidade de pensar.

Não, ninguém é melhor do que ninguém. E não, não é por isso que nós desejaremos nos tornar pessoas piores.

E se alguém te chamar de burro, pergunte qual espécie de burro. Se é o da fazenda, o selvagem, o do circo. Peça ofensa mais elaborada, por favor..

Falar mal dos outros é fácil, difícil é equilibrar um saco de cimento na cabeça e discursar dançando axé.

É sério, deve ser difícil mesmo.

AlanLima

Pão e Circo?

É carnaval, Brasil. Escolas de Samba, Blocos, Fantasias. No Norte, no Sul, no meio da Nação, nas laterais. Menino, velho, senhoras e senhoritas. Uns na Avenida, outros em casa. Nenhum meio na Avenida, meio em casa. Todos inteiramente no seu lugar. É bastante Carnaval, minha gente.

Eu vejo críticas severas. Que essas festas malignas são. Iludem o povo com pão e circo. Acabo matutando… Mas gente, não é Roma Antiga isso aqui. Já viram o preço do pão, da gasolina? Do Circo, da diversãozinha num cinema? Saudades quando nos iludiam com comida e arte (quando foi mesmo?!).

Eu?!

Eu quero criticar, com unhas e dentes, ou talvez só com palavras mesmo, aquele samba. “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé.” Temos então um sujeito que por não gostar de samba, tem mal na cabeça ou alguma enfermidade no pé.

Deixe quem não goste de samba tranquilinho na dele. Por que essa bruxaria gente amiga bonita dos sambinhas?!
Eu gosto de samba e tive doença no pé. Quem gosta de samba também sofre…

Fujam dessas pegadinhas das aparências.

Há sambas que são pragas e há pragas que são bem vindas.
Que vocês todos sejam pobres de pobreza! Que você seja burro para falsas sabedorias.

Eia! É carnaval e eu aqui, você aí. Brindemos vida vazia pra gente, amigos. Vazia da folia de impostos e impostores… Bem vazia dessas coisas que enchem o saco.

PAO

A Menina, o Amor e a Educação.

“Ando Meio desligado Eu nem sinto Meus pés no chão Olho E não vejo nada Eu só penso Se você me quer.” Música da Tiê, essa moça-cantora-bonita da foto.

Menina masca chiclete de morango na praça. Solta embalagem no chão. O papel se encontra com o vento. O vento leva o papel pra rua. Na rua os carros passam velozes. Tem um semáforo com defeito. O papel se prendeu nas ferragens de um acidente. Um ciclista perdeu sua bicicleta nova. Um motorista deve ser multado. Chega bombeiro. Chega ambulância. Não há feridos. Quem chamou socorro estava apenas assustado.

O papel saiu do ocorrido ileso. Voltou pro chão. Voou de novo. Encontrou a calçada. O dia acabou, chegam as festas da noite. O cachorro quente será vendido numa barraca. A barraca é montada. Chega o primeiro cliente. Segundo. Terceiro. Quarto. Muitos. Salsicha, pão, milho. Namorados, casados, solteiros, divorciados. Está tudo movimentado. Porém a noite do papel ficou estacionada. Em baixo de uma latinha.

A latinha é verde, e tem um restinho de guaraná. O guaraná molhou o papel. Papel ficou mais frágil. Rasgou. Agora o papel é dois. Logo virou três. Cortou-se demais.

A latinha era dela ali. Da Menina que mascava chiclete de morango na praça. Mais cedo andava triste e mascava pra se alegrar. Mas agora é noite. Escureceu os tormentos do cotidiano. Ela acaba de se apaixonar. Ele é educado e ainda lhe pagou um guaraná.

Papel se desintegrou, por causa da latinha jogada no chão pela Menina. Papel, Latinha, fora do lixo.  A Menina precisa aprender os bons modos dessa vida, e aprenderá dias depois.

Nós demos um sermão nela esta noite. Ela fingiu escutar.

A possibilidade de ser amada, em seus ouvidos enfeitados por brincos azuis, é melodia alta demais. Nem tivemos coragem de condená-la.

Mesmo nós estaríamos surdos.

Alan Lima