Grande Amor ou Perturbação Mental?

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A busca por um GRANDE amor é  perturbação mental. Serve apenas pra encher todos os sacos deste Universo.
O relevante no tamanho é o encaixe!

Tentou usar uma roupa de um número maior que o teu? Fica larga, solta, e se for calça nem segura no corpo, cai e te deixa nú.

Só quando na medida,  relações e roupas ficam umas belezinhas! Fora dela, causam desconforto, apreensão e ansiedade.

Caçar um grande amor, forçar a barra, cobrar dos outros que sejam enormes e saciem tua mania de grandeza… Te faz um megalomaníaco, não um ser amoroso.

Acredite, existem diferenças.

Essa história de melhor namoradx do mundo, seria coerente se namorar fosse um esporte e tivéssemos um campeonato. De vários casais disputando o prêmio de melhor do melhor do mundo.

Ainda bem, é diferente. Você pode estar muito bem com alguém, sem precisar compará-lo ao resto da humanidade.

Raciocine.

Não precisa ser grande o amor.

Sendo amor já é o bastante.

Alan Lima

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O beijo dos poetas.

A confusão de lábios denominada beijo é requisitada por vários tipos de pessoas. Doutores e analfabetos buscam boquinhas por aí. Na web centenas de tutoriais ensinam melhorias nos câmbios labiais. São festas e mais festas com o mesmo intuito. Namoros, noivados, casamentos, divórcios, quanto da nossa vida gira em torno de beijar alguém?

Conta um dicionário, beijar é “Enfiar a língua na boca.” Falando assim parece uma violência. Me passa a sensação de que a boca está fechada, vai chegando a língua e força uma entrada, ultrapassa os dentes e invade a garganta agressivamente. Urgh!

Vamos, então, redefinir tal ato fantástico.

Beijar é falar com duas línguas, misturar movimentos iguais aos usados para emitir palavra. Por isso, é necessário ter articulação, desenvoltura e ouvido. Uma boa audição te ajudará a entender sons da outra boca, e poderá correspondê-la em sincronia.

Não adianta buscar exercícios individuais para se aperfeiçoar nesta prática. Aqui o trabalho é sempre em grupo. Não cabe solidão, é uma técnica fina e delicada. Tão humana que proponho uma nova classificação de seus praticantes.

Se ao escrever um poema, o poeta busca sensibilizar seu leitor, tocá-lo no íntimo e fazê-lo sentir um sopro na alma através de palavras, e estas são essencialmente produzidas pelas línguas… Quem beija também é poeta, pois busca provocar sensações semelhantes com os mesmos artifícios.

O beijo é um poema de dois autores, seus versos são ora metrificados, ora livres, mas nunca irrelevantes. Mesmo que se diga que um  fora melhor que outro,  todos, sem exceção, originam algo.

E por vezes, são os mesmos efeitos de um belo soneto.

Portanto, beija. Ou faça poesia. Ou melhor. Faça poesia e beija.

Encontra poeta ou poetisa que te faça verso tal, tão bem feito, que pra sair de tua boca… Nunca mais haverá jeito.

Alan Lima

Não despreze as palavras.

Se você pretende um objetivo, não despreze as palavras. É mais fácil falar? Talvez. Porém tudo começa quando tocamos no assunto. Necessárias são as discussões, os debates, pois são os ensaios da ação. Como um time de futebol não joga bem sem treinar, quem deseja um futuro melhor precisa discursar.

Imagine um professor que resolve ignorar as palavras. Mesmo sendo uma aula de matemática, como explicaria aos seus alunos o conteúdo?!  Como demonstrar uma equação sem usar o termo “igual”? Os verbos, substantivos, adjetivos nos induzem ao conhecimento do mundo.

Podemos mencionar as pessoas que descumprem suas promessas. Bem lembrado. Mas estas nos geram decepção porque um dia falaram algo. Caso nunca tivessem prometido com palavras, pouco nos importaria. . Não menospreze ideias expressadas pelo outro. Se estão certas ou não, apenas conversando entenderemos.  Aquilo que se fala é parte inseparável daquilo que se faz.

Sem troca de pensamentos os sentimentos ficam murchos. Por isso, os impossibilitados de emitirem sons pela boca, criam palavras com as mãos. Conhecem, intuitivamente, o belo poder humano da comunicação.

Seres humanos não podem voar, nem cuspir fogo. O que no torna mais fantásticos do que dragões, é a capacidade de dizer.

Ignorar as verbalizações de alguém é matar. Cemitérios não são silenciosos à toa. A vida abundante e forte acontece entre nossos papos. Não ignorem a poesia. Não virem as costas para os livros. Por favor, não desprezem as palavras.  Ficaremos confusos. Porque até para menosprezá-las é preciso que as usem.

Alan Lima

Quando os olhos se apaixonam.

 

Quando os olhos se apaixonam ficam mais unidos, procuram o mesmo alvo. Querem ver quem os fez sentirem mais vida. Passam a comandar o resto do corpo. Ordenam que as pernas se apressem porque logo a observada chegará.

Se ela não vem, invocam a imaginação e fazem a cabeça ignorar o presente,  enxergam apenas a imagem imponente da saudade.

Se ela chega, tornam-se brilhantes atores. Sobem no palco, cantam, dançam, formam o mais misterioso espetáculo da Terra. Digo misterioso. Porque por vezes ninguém notará que os olhos estão tentando deixá-la bem.

Ao contrário das mãos, quando os olhos se apaixonam ficam alegres sem precisar tocar a observada. Sabem eles de suas limitações. Jamais poderão abraçá-la, beijá-la, porém orgulham-se de serem os únicos capazes de percebê-la.

Por isso, o corpo inteiro fica esperando a opinião dos olhos. Eles são quem dizem se ela corresponde, a partir de dados extremamente relevantes. Como a curvinha da testa, o ajeitar do cabelo, e talvez o mais instigante; o olhar dela.

Porque cada olho, lá no fundo, apaixona-se mesmo é por outro olho. Busca em outras retinas a inspiração de suas visões profundas.

Temos coisas demais para observar, dois olhos são insuficientes. Na faculdade, em casa, no trabalho, nos relacionamos com inúmeros globos oculares.

Tudo para não deixarmos a vista cansar, descansamos em vários outros olhares.

E entre tantos surge um que irá te atrair. Nele está algo que você quer conhecer e talvez nem saiba o que seja. Os olhos, estes danados, se apaixonam e não nos explicam nada.

Sem entender muito, fugimos. Fazendo-os se irritarem, ao ponto de chorarem ou recusarem-se a abrir. Fecham-se em protesto.

Mas ah… Quando eles são correspondidos. Ficam abestados. Viram duas criancinhas contentes.

Sorriem mais bonito que os dentes.

Não reclame caso os seus donos  se juntem,  a ponto de parecer que quatro olhos viraram um.  Pois é assim, meu bem.

Quando os olhos se apaixonam tomam conta da gente.

 Alan Lima

Areia demais para o teu caminhãozinho.

de blog.freepeople.com

Imagina ser tu uma caçamba e tenhas que transportar uma quantidade de areia infinita. Seriam necessárias incontáveis viagens. Nunca acabaria esta tarefa. Disto vem aquele dizer. “É areia demais para o meu caminhãozinho.”

Quem nunca se encantou por uma pessoa, calculou as probabilidades de conquistá-la e chegou ao resultado de zero.

“Eu não tenho chance.”

Sem jogar, tu nunca vencerás. Na desistência precoce tu jamais saberás se teus cálculos estão corretos. Porém, existem situações que de fato é melhor tirar o time de campo, antes de levar um cartão vermelho coletivo.

Há um terceiro cenário, o mais doloroso.

Tu saíste do teu lugar. A outra pessoa abriu espaço, acenou para uma possível vitória e o jogo começou. Surgiram sim nas respostas. Estavas bem no começo e parecia distante uma derrota. O placar seguia sem gols,  mas a torcida já comemorava nas arquibancadas, erguiam-se as faixas, é tetra!

Então, quando te sentias potente, ouviste um não.

A expectativa da conquista tornou-se num sentimento de fracasso.  O coro de é campeão entalou e calou o teu estádio. Sem fazer ideia de como deu errado,  questionas, por quê? Deste teu melhor chute e bateu na trave.

Respira e pensa.

Não somos carregadores de areia. Somos histórias. Cada gente é um roteiro desenrolando. Seremos para elas vilões,  coadjuvantes, atores principais. Nunca diretores. Jamais iremos dirigi-las e isto as tornam imprevisíveis.

Ninguém te deixou porque és menos bonito, inteligente. Apenas aquele filme não era o do momento, por fatores misteriosos. Te lembras. O ser humano é complexo, te detestarão e te amarão pelas mesmas características.

Cuida das tuas lindezas,  mais que um caminhão, és um Universo.

Que teus personagens sejam boas estrelas a te enfeitar.

Alan Lima

Padrão de beleza, a reforma forçada.

Art de Vinegar

Na escala dos corpos esculturais estou mais para uma escultura ainda não concluída. Tive algumas namoradas. Elas me queriam mais forte, cogitei mudar, ganhar um peso, definir braços, tornear pernas. Dessa forma elevaria minha autoestima, seria mais atraente, um desses galãs apaixonantes e bem resolvidos.

O tempo passou, fiquei solteiro e nesse quase um ano, malhei bastante as minhas ideias. Descobri o valor dos exercícios transcendentes. De lá para cá voltei a escrever versos, crônicas ,  arrisquei uns contos. Sem correr atrás de qualidades literárias excepcionais, com meus escritos vi se revelarem belezas na minha angústia.

Suponhas tu morar num lugar que ame. Então chegam pessoas com severas críticas. Querem derrubar paredes, alargar cômodos, pintá-lo. Tu até gostarias de umas reformas, mas como neste caso viriam de invasões e não do teu desejo, seria natural sentir o peito apertar.

Sempre me agoniou transformar meu corpo porque lá nas raízes de mim, eu sempre o gostei desse jeito. Eu, como qualquer ser humano, não gosto de reformas forçadas.

E para o nosso bem viver, eu te convido a fugir delas.

Caso a  humanidade inteira conseguisse obedecer aos padrões de beleza impostos, teríamos corpos, cabelos, olhos,  de tipos iguais ou próximos. Sumiriam as diferenças entre os símbolos sexuais desta era e nós.

Sorte o padrão ser doloroso de alcançar, chegar nele seria matar nossas diversidades e ficaríamos, ironicamente, feios de tão parecidos.

Se para alguns o consumismo é quem manda, digo. É uma questão de economia. Sai mais barato se aceitar do que gastar até a última barra de ouro tentando ser outra pessoa.

 Alan Lima

A mulher gostosa.

 

Ilustração de Tânia Barreto

 

 

Escrevo este apelo à sensibilidade dos que contemplam a mulher.

Gostosa não é elogio.

Calma, calma.  Explico.

Nenhuma palavra por si mesma é elogio, todas têm contexto. Chamar uma delas de gostosa em alguns momentos caracteriza agressão verbal.

Ela está andando na rua, numa roupa que selecionou ao seu critério, e te ouve rosnar.

– Eitcha, goooostosaaaa!

A conotação sexual desse rosnado é uma pedrada. Se a enxergas como uma arte, por que não a tratar como obra de valor e analisá-la com bom senso? Tu podes afirmar que algumas gostem dessa abordagem, mas isto não se sabe observando tamanho de short.

Necessário é conhecer de quem se trata, qual o teu papel na vida dela. Antes disto grunhidos de animais no cio são úteis apenas se o desejo for realmente constranger.

A mulher gostosa nas raízes do significado é a que tem sabor. Tu podes estar com o paladar pouco aguçado. Ainda dá tempo de descobrir o gosto do feminino.

Tem aroma de liberdade. Vês? Nasceu pra transgredir julgamentos, provocar inteligência, mascar conceitos imaturos. Evitemos rotular seus corpos com adjetivos invasivos, doemos os reveladores!

Tu tens atitudes gostosas! Ninguém roubará o teu brilho pela vida, vá em frente!

Porque a beleza feminina tem mil e uma páginas. Só descobriremos mais deste livro, quando conseguirmos ir além da capa.

Alan Lima

Tu tens olhos ensolarados, menina, descansa.

de Veneno de Salto

Descansa, menina, descansa. Deita aqui nesta parte de mim.

A outra nem sei onde tá. Esta sobra, espaçosa,

deita nela  tua cabeça,  relaxa teu mundo.

 

Repousa  passado,  calendário vencido,  relógio estragado.

Te encosta nesse canto pra eu revelar mais tarde a canção.

No agora, estique as perninhas e te sintas no chão.

 

Guarda teus voos de passarinho nervoso…

Tudo é uma questão de sonhar em paz.

 

Acorde depois de mim, serena e ainda menina

Ria que teu riso

Irradia uma constelação de estrelinhas em mim

Espalhei meia dúzia de luas pelos ares!

Te mantenhas explodindo esperanças!

Havendo faltas e escuros cotidianos

Ainda tens luz própria. Ainda tu tens olhos ensolarados, menina, descansa.

Alan Lima

Namore um trouxa.

de noris.com

Estive pensando sozinho e tive uma ideia pra ti. Namore um trouxa. Eles são fáceis de achar. Estão chamando tua atenção e te procuram quando estás escondida. Nos dias mais difíceis do teu cabelo, lá estão os tais. Jorrando elogios pelos olhos. Te sentem bela ainda que o espelho fale absurdos.

Por favor, fujas dos durões orgulhosos, quando tu os xingas, se vão bravos e decididos a nunca mais voltarem. Melhor é ter um trouxa. Tu o mandarás ir pro quinto dos infernos, mas ele só iria aos diabos se fosse contigo. É mais sensato ter alguém que quando tu pedes distância, continue por perto. Pois se sempre atenderem teus gritos e fugirem… Quem restará?

Estou bambo com tamanha revelação. Os trouxas tão criticados e sofridos, difamados pelos propagadores do “ame muito a si mesmo”, são quem mais sabem amar. Perdoam, dão o braço a torcer, chutam a caixinha do egoísmo e dizem “fique aqui”, quando aquela outra parte quer se partir.

Tu dirás deles palavras vãs. Acharás que estão assim desvairados e loucos porque és única. Nada tem a ver com isso, não é uma questão de vaidade. Os bons trouxas descobriram beleza em ti que nem tu mesma viste. E se a beleza está nos olhos de quem vê, és tu quem precisa dos olhos deles pra ser um deslumbre.

Namore-o. Reinvente tuas ideias e encontre neles teu amor tranquilo. Ou mastigue a dura verdade (talvez seja mentira, mas prova o sabor dela ao menos):

– Quem não ama o amor dos trouxas, é bem mais trouxa ainda.

Alan Lima

No entardecer já estaremos vendo o sol se pôr dentro de nós.

 

de augusto.denardin.org

A paixão é passageira, perversa e angustiante quando não correspondida.. Outro dia eu quis tanto alguém que cogitei ir andando, era longe daqui, bem distante, desejei ter perna suficiente pra gastar até lá.

Quantas vezes meus pensamentos correram léguas buscando achá-la num quarteirão qualquer. Refletia demais a imagem dela na minha cabeça, deu cansaço exagerado que mal conseguia descansar.

Uma fraqueza profunda gerando minha insônia. Sem dormir, girava na cama como pião de madeira. Inquieto, impaciente, ansioso. Nenhum daqueles conselhos de amor próprio funcionava. Nem as músicas calmantes, nada. Eu sentia minha alma correndo pela casa enquanto meu corpo ficava deitado.

O meu peito ardia na mesma temperatura que me causava a voz dela. Apesar de o calor ser igual, dessa vez doía, queria a frieza, e o fogo se alastrava pela minha respiração.

De pião inquieto virei dragão cuspindo chamas de dor.

Estas cenas me aconteceram diversas vezes por motivos diferentes. Alguns porque eu estava fora de cogitação na vida de quem eu queria. Seja por padrões de beleza, ideológicos, talvez poéticos. Outras porque a pessoa que eu gostava simplesmente se desfez. Era bela, leve, paz e mostrou-se um tornado de me agredir com palavras e silêncios.

Nada foi bonito. Todas as vezes a angústia fora dilacerante. Chorei, comi mal, vivi caído.

Há algo de proveitoso nisto?

Eu estou vivo. Se tudo doeu ou doer, é sinal vital, ainda dá pra levantar da cama, largar a vitimização banal. Insistirão os cortes, eu sei. Você sabe.

Vamos desse jeito mesmo. Desanimados.

O dia só acontece quando você ultrapassa o sono e a preguiça, levanta, mesmo cambaleando e continua.

Teremos temperatura revigorante. No entardecer já estaremos vendo um sol de esperança se pôr dentro de nós. A próxima noite, acredite, o máximo de nós a recordar um dragão serão as asas.